Tens-me
presa à dor com pregos e amarras
Que só Tu conheces
e podes ver
Lembra-Te
Jesus que És Tu que me soltas
Que me vens visitar
quando me queres dizer
Sem palavras
no silêncio faz-se entender
Que é
preciso que no cárcere fique, ineficaz
Como coisa
inútil que ninguém possa ver
Tu noite e
dia O meu capataz
Os Teus
passos prevejo
Quando ao
longe caminham
Da brecha de
luz que os céus adivinham
Os
ferrolhos, as portas dos presos sem gemer
A martírios
ocultos Te podem conhecer
Ninguém pode
ver, oh, grandiosa ironia
Há um calabouço
profundo onde a Tua agonia
Se perpetua,
por detrás da frágil,
Aí nos
encontramos na mais pura miséria,
Do comer, do
dormir, que do nada falamos
palavras que a sangue não soletramos
Se estampam nas pedras, como um tempo daqui
palavras que a sangue não soletramos
Se estampam nas pedras, como um tempo daqui
Nossos olhos
se espantam
As gargantas
não se afoitam perguntar
Senão ousam
pensar, porque nos trouxeste aqui?
E atrás de
Ti deixas um rastro de amor e de dor
E um dia nós
vamos-Te confessar
Que não
sabemos mais viver
Sem os Teus
passos ao cárcere a chegar
Que já não
sabemos viver sem a dor
Que a Ti nos veio apresentar …
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