segunda-feira, 20 de outubro de 2014

E um dia nós vamos-Te confessar...

Tens-me presa à dor com pregos e amarras
Que só Tu conheces e podes ver
Lembra-Te Jesus que És Tu que me soltas
Que me vens visitar quando me queres dizer
Sem palavras no silêncio faz-se entender
Que é preciso que no cárcere fique, ineficaz
Como coisa inútil que ninguém possa ver
Tu noite e dia O meu capataz
Os Teus passos prevejo
Quando ao longe caminham
Da brecha de luz que os céus adivinham
Os ferrolhos, as portas dos presos sem gemer
A martírios ocultos Te podem conhecer
Ninguém pode ver, oh, grandiosa ironia
Há um calabouço profundo onde a Tua agonia
Se perpetua, por detrás da frágil,
Luz do dia…
Aí nos encontramos na mais pura miséria,
Do comer, do dormir, que do nada falamos
palavras que a sangue não soletramos
Se estampam nas pedras, como um tempo daqui
Nossos olhos se espantam
As gargantas não se afoitam perguntar
Senão ousam pensar, porque nos trouxeste aqui?
E atrás de Ti deixas um rastro de amor e de dor
E um dia nós vamos-Te confessar
Que não sabemos mais viver
Sem os Teus passos ao cárcere a chegar
Que já não sabemos viver sem a dor
Que a Ti nos veio apresentar …

Sem comentários:

Enviar um comentário