terça-feira, 3 de março de 2015

O Amor é muito superior ao pecado...

Acordei a pensar no padre que se suicidou após um longo percurso depressivo da obrigação de assumir um filho que fizera a uma mulher. Que não encaixara isso na sua cabeça, que se sentira provavelmente muito confuso, indigno, envergonhado…
Penso que a certa altura provavelmente desacreditara na Vossa Misericórdia… que o segredo é crer cegamente na Vossa Misericórdia... Penso que o Amor é muito superior ao pecado. Que Vós Sois muito superior à miséria, que é o homem. Se Vós dais vista aos cegos e fazeis andar os paralíticos, se Vós ressuscitais os mortos, como ousamos temer? Porque avaliamos o nosso pecado aos nossos olhos, e nos desesperamos? Porque achamos que é o fim, que tudo está terminado para nós, que não temos mais hipóteses, que a santidade não é para nós? Porque queremos ser donos da verdade quando não A conhecemos? Se nós conhecêssemos A Verdade saberíamos que os Vossos olhos estão todos voltados para o pecador, saberíamos que Vos compadeceis profundamente do maior pecador arrependido e que o impossível a nossos olhos é possível a Deus. Saberíamos que a nossa vida não está determinada senão pelas nossas crenças e escolhas, e que são elas que determinam mais e definitivamente o que seremos do que muitas vezes os nossos actos; ou seja é a nossa fé que determina mais o nosso futuro do que as nossas opções, porque escolher a fé, é mais importante do que escolher o caminho, já que o caminho pode fazer-se errado, mas escolher-Vos deve fazer-se certo. Porque é que ele se deixou confundir pela desesperança? Porque é que não nasceu da vergonha o profundo sacrifício do Amor? Talvez quando somos deuses de nós mesmos o veredicto seja impiedoso… Não há nada que se possa fazer no mundo maior do que faz O Amor… Não nos há-de isso confortar nas horas de amargura? O único pecado é não crer em Vós… E se somos sujeitos ao constrangimento total por nós próprios? Não temos possibilidade de nos agarrar a um rasgo de vaidade, não são os outros que nos perseguem e nos fazem mal, é a nossa miséria diante dos nossos olhos, tão evidente que só a podemos entregar a Vós, sem qualquer outro destinatário… para isso basta CRER em Vós, olhar para Vós e não olhar para si. É porque olhamos demais para nós que nos desesperamos. Não, nada é nosso, nem a nossa miséria, porque se Vós aceitais de nós as coisas boas, também de nós aceitais as coisas más, tudo é Vosso, é a nossa miséria que pedis que Vos entreguemos? Porque temer então? Da nossa miséria devolveis-nos o quê? Justiça? Não. Medo? Não. Que nos devolveis? Devolveis-nos Vós Mesmo. O nosso pecado separa-nos de Vós, mas a nossa fé une-nos a Vós. Tomas a nossa miséria e devolves-nos Vós Mesmo que Sois O Amor. E se Vós nos achais dignos, somos nós que nos acharemos indignos? E quem sabe o que é melhor para nós, somos nós ou Vós? Porque não crêem em Vós alguns dos que pecam? Porque se deixam afundar por acharem que não possuem mais salvação? Porque temem olhar para Vós crendo que Sois tudo menos O Amor? Se acreditassem no Amor saberiam que tudo é possível ao Amor, mas não Vos conhecem… Senhor, olhai com especial compaixão os que se deixam desesperar e que não crêem na Vossa Misericórdia, mostrai-lhes que todo o caminho é fumaça, aos olhos do Vosso Amor. Que não há miséria que deixe rasto, quando passa O Amor… que a vida é uma sombra d’O Amor… que O Amor é O único que permanece…  

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