terça-feira, 4 de julho de 2017

Comungar na boca, ou na mão?

Porque é que o Sr Padre se sentiu tocado quando teve de dar a comunhão na mão? Continuo a não compreender  qual  a real e verdadeira diferença entre comungar na boca ou comungar na mão. Não percebo do fundo do coração. Porque o pó das partículas pode ficar na mão? Nunca me aconteceu. Desde que comungo, os diversos sacerdotes possuem variadas teorias a esse respeito e  diferentes solicitações. No inverno em que surgiu mais drasticamente a gripe A no nosso país, começou a ser solicitado na Igreja que se comungasse na mão para impedir que a saliva eventualmente transmitida para os dedos do sacerdote não passasse para a pessoa seguinte, fez-me sentido, nenhum acto nem mesmo o de fé deve deliberadamente colocar as pessoas em situações superiores de risco.  Acrescento um aparte que já me aconteceu também alguns sacerdotes possuírem as mãos a cheirar a tabaco. Agora que a gripe A se banalizou, o que não devia, os padres não solicitam nada, nem na mão, nem na boca, apenas alguns referem que se deve fazer uma espécie de trono com a mão e outros que se deve comungar corretamente à frente do sacerdote. Embora comungar à frente do sacerdote não impeça o desvio de hóstias, pode no mínimo dar a sensação de minimizar essa possibilidade, contudo por uma questão de principio, respeito e dignidade a mim, parece-me o correto. Mas porque é que eu não comunguei na boca? Por vezes comungo na boca, outras na mão. Tinha uma espécie de marca na língua, o que me deixaria desconfortável estica-la ao sacerdote Mas por veze pode ser até uma questão de recatez.  Há quem possa ter os dentes amarelos, há quem possa ser tímido e ter vergonha. Há quem possa ter a placa a abanar ou a cair… Então tive vontade de dizer: Valha-me Deus Sr Padre não acha que cada um já tem por vezes a sua própria penitência e sabe Deus outras que o Sr nem possa adivinhar e será justo que tenha de se perceber que o padre não gostou do nosso procedimento? Fiquei um pouco triste. Não devemos impedir ninguém de ter as suas preferências. Aceito mesmo as preferências dos sacerdotes tal como a dos crentes, mas parece-me que não se devem fazer notar. Isto porque todos somos humanos e temos preferências quando muitas vezes as não devíamos ter. Uns gostam de comungar de joelhos para agradar a Jesus, outros gostam de comungar de joelhos para agradar à sociedade e ao padre. Uns gostam de comungar na boca para agradar a Jesus, outros comungam na boca para realmente agradar aos padres e outros comungam na mão e são amigos de Jesus na mesma. Ser amigo não é uma disposição interior? Eu não consigo dizer que quem comunga na mão ama menos a Deus, alguém conseguirá? Penso que teria gostado que supostas fórmulas não nos tocassem tanto, que fossemos mais intocáveis, e não nos perturbasse se a água vai para a direita ou se a água vai para a esquerda, porque tudo está no domínio de Deus. As nossas antipatias são muito mais pessoais que de Deus, e também, nem Deus e nem a igreja que tenha conhecimento, decretaram uma só forma de comungar. Gostava de ter visto apenas genuíno contentamento decoração, porque só uma coisa é importante concordará, O AMOR. Para o Amor, parecem existir vários caminhos, eu devo estar disponível para seguir o caminho que Deus possui para mim. Posso ajoelhar-me Sr Padre o que aos olhos de muitos seria bom, mas se Deus me pedir para ficar de pé, estará errado ajoelhar. Posso comungar na mão, mas se comungo na mão para mim mesma e não para Ele, está errado. Fora do que está verdadeiramente instituído e é exigido pela Igreja, não será desobediência seguir por um lado ou por outro, se alguém fizer pressão para ajoelhar, estará certamente errado. Penso agora que se Deus não me pedir nada em particular posso seguir pelas minhas convicções da verdade e comungar na mão, mas também posso abdicar da realização das minhas convicções para dar contentamento e comungar na boca e/ou de joelhos…  Hoje Deus pode pedir uma coisa, mas amanhã pode pedir outra, sem justificações, seremos tolerantes. Confiaremos. Gosto da ideia de que a vida na relação com Deus é como uma dança, e é Ele que nos leva, quando O deixamos levar. Muitas vezes com os pés no ar, mas quem pode conhecer o que dizemos a Deus, quanto dançamos? 

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