Porque é que o Sr Padre se sentiu tocado quando teve de dar a
comunhão na mão? Continuo a não compreender
qual a real e verdadeira diferença
entre comungar na boca ou comungar na mão. Não percebo do fundo do coração.
Porque o pó das partículas pode ficar na mão? Nunca me aconteceu. Desde que
comungo, os diversos sacerdotes possuem variadas teorias a esse respeito e diferentes solicitações. No inverno em que
surgiu mais drasticamente a gripe A no nosso país, começou a ser solicitado na
Igreja que se comungasse na mão para impedir que a saliva eventualmente transmitida
para os dedos do sacerdote não passasse para a pessoa seguinte, fez-me sentido,
nenhum acto nem mesmo o de fé deve deliberadamente colocar as pessoas em
situações superiores de risco. Acrescento
um aparte que já me aconteceu também alguns sacerdotes possuírem as mãos a
cheirar a tabaco. Agora que a gripe A se banalizou, o que não devia, os padres
não solicitam nada, nem na mão, nem na boca, apenas alguns referem que se deve
fazer uma espécie de trono com a mão e outros que se deve comungar corretamente
à frente do sacerdote. Embora comungar à frente do sacerdote não impeça o
desvio de hóstias, pode no mínimo dar a sensação de minimizar essa
possibilidade, contudo por uma questão de principio, respeito e dignidade a
mim, parece-me o correto. Mas porque é que eu não comunguei na boca? Por vezes
comungo na boca, outras na mão. Tinha uma espécie de marca na língua, o que me
deixaria desconfortável estica-la ao sacerdote Mas por veze pode ser até uma
questão de recatez. Há quem possa ter os
dentes amarelos, há quem possa ser tímido e ter vergonha. Há quem possa ter a
placa a abanar ou a cair… Então tive vontade de dizer: Valha-me Deus Sr Padre
não acha que cada um já tem por vezes a sua própria penitência e sabe Deus
outras que o Sr nem possa adivinhar e será justo que tenha de se perceber que o
padre não gostou do nosso procedimento? Fiquei um pouco triste. Não devemos impedir
ninguém de ter as suas preferências. Aceito mesmo as preferências dos
sacerdotes tal como a dos crentes, mas parece-me que não se devem fazer notar. Isto
porque todos somos humanos e temos preferências quando muitas vezes as não
devíamos ter. Uns gostam de comungar de joelhos para agradar a Jesus, outros
gostam de comungar de joelhos para agradar à sociedade e ao padre. Uns gostam
de comungar na boca para agradar a Jesus, outros comungam na boca para
realmente agradar aos padres e outros comungam na mão e são amigos de Jesus na
mesma. Ser amigo não é uma disposição interior? Eu não consigo dizer que quem
comunga na mão ama menos a Deus, alguém conseguirá? Penso que teria gostado que
supostas fórmulas não nos tocassem tanto, que fossemos mais intocáveis, e não
nos perturbasse se a água vai para a direita ou se a água vai para a esquerda, porque
tudo está no domínio de Deus. As nossas antipatias são muito mais pessoais que
de Deus, e também, nem Deus e nem a igreja que tenha conhecimento, decretaram
uma só forma de comungar. Gostava de ter visto apenas genuíno contentamento decoração,
porque só uma coisa é importante concordará, O AMOR. Para o Amor, parecem
existir vários caminhos, eu devo estar disponível para seguir o caminho que
Deus possui para mim. Posso ajoelhar-me Sr Padre o que aos olhos de muitos seria bom, mas se Deus me pedir para ficar de pé, estará errado ajoelhar. Posso
comungar na mão, mas se comungo na mão para mim mesma e não para Ele, está errado. Fora do que está verdadeiramente instituído e é exigido pela Igreja, não será desobediência seguir por um lado ou por outro, se alguém fizer
pressão para ajoelhar, estará certamente errado. Penso agora que se
Deus não me pedir nada em particular posso seguir pelas minhas convicções da
verdade e comungar na mão, mas também posso abdicar da realização das minhas convicções para dar
contentamento e comungar na boca e/ou de joelhos… Hoje Deus pode pedir uma coisa, mas amanhã pode pedir outra, sem
justificações, seremos tolerantes. Confiaremos. Gosto da ideia de que a vida na
relação com Deus é como uma dança, e é Ele que nos leva, quando O deixamos levar.
Muitas vezes com os pés no ar, mas quem pode conhecer o que dizemos a Deus, quanto
dançamos?
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