Poema elaborado para comentar a mensagem publicada no blogue: http://eupadre.blogspot.pt/2014/01/visao-poema-3.html
Esse Cristo que sofre,
que se derrama
Pela humanidade árida que não ama
Essa luz celeste, esse feixe fugaz
Essa voz, que me diz
Que me fala, que me pede
Mas a quem, a minha alma realmente segue?
Essas mãos, que se abrem,
P’ra deixar esvoaçar
Réstias de sonhos, que não podem agarrar
És Cristo que eu vejo,
Eleva-las no altar.
Os teus olhos, a sombra, a penumbra que chora
O homem que se esconde, para que Ele viva
E para que siga,
A vontade que morra,
Quantas vezes entristece, no caminho da vida?
Que não vejo, que não sei
Estou ciente que crês, que te abandonei,
Que te abandonei, que Te abandonei,
Só a sangue se talha,
Os que Eu gerei.
É preciso que deixe sem certezas do amanhã
Que te abandonei, que Te abandonei,
Só a sangue se talha,
Os que Eu gerei.
É preciso que deixe sem certezas do amanhã
as quimeras morrerem
os anseios jazerem,
As dúvidas arderem, como coisa vã.
Tão frágil teu olhar
Tão fugaz o respirar…
O que sobra homem de ti, para além de Mim?
O que sobra de ti, para mim,
Senão esse resto de genialidade,
Senão esse resto de genialidade,
Em que afogamos,
Um no outro,
A nossa Humanidade?
Qual é a essência da tua natureza? O que a valoriza?
Ou valorizas tu, Aquele que ta dá?
É nesta medida ou na medida do mundo, que vejo,
O que em ti Ele será?
Diz-me se o que nos une é sermos pobres passageiros
Ou valorizas tu, Aquele que ta dá?
É nesta medida ou na medida do mundo, que vejo,
O que em ti Ele será?
Diz-me se o que nos une é sermos pobres passageiros
Ou partículas d’Ele,
Em que somos inteiros?
Cruel é o escudo, onde a dor se forja, de rejeitado,
Cruel é o escudo, onde a dor se forja, de rejeitado,
Tu não vês como Deus já traçou nosso fado?
Quem és tu? Se existes, com que identidade,
Se misturas o que és e Ele É, de Verdade,
Se misturas o que és e Ele É, de Verdade,
Onde começa e acaba
O homem,
O homem,
E a Divindade?
Diz-me tu, quem me ama
Se é o homem
Ou Deus, que me chama?
Se é o sonho que morre ou
Se é o sonho que morre ou
O Céu que reclama?
Diz-me Tu, se És Tu
Diz-me Tu, se És Tu
ou ele que me ama.
Diz-me tu, se sou eu que te amo
Ou ao Deus que existe em ti?
Ou ao Deus que existe em ti?
Pois que nem tu sabes
Porque,
Ambos fazem parte de mim
Diz-me tu, se é por ti que vivo
E me desespero
Nesta calma imortal, que não cessa e quero …
Se é por Ti,
Se é por ele,
Que eternamente espero. (Dedicado a P e a D).
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