segunda-feira, 31 de março de 2014

Mas com a certeza de que És Tu...


A minha liberdade que tomaste,
P’ra que Te serve, Senhor?
Será quando me abates,
para minha humilhação,
ou Teu louvor?

Usas em mim as Tuas palavras,
Em quem Te importa…
Que logo quando queres, vê a luz
Para me não deter, num só gozo
hoje um acto bondoso e outro a Cruz…

Que devo eu esperar
Da entrada triunfal,
A não ser,
A crucifixão do que fora enviado?
Honra, vergonha e contradição,
Como um sinal, senão,
Do Cristo ensanguentado?



Que justo ou  bom reclamo,
Se nada me é dado reclamar?
Aceito, a Tua justiça
Aceito a Tua dor
Aceito o Teu Amor
E tudo o que Ele, me queira enviar

Nem p'ra uma vanglória
nem para humilhação
Para que me não fixe, na vitória,
de méritos que não posso ter,
Trocas as voltas de qualquer história
De quantas voltas, ela possa ter

De quantas formas, posso ver,
A Tua acção, o Teu procedimento…
Aceito!
Da Tua mão,
O veredicto, intacto e por inteiro
Oh, Bem-aventurado Cristo
Meu único Amor e Verdadeiro…


Que me baixe à provação,
Vergonha, escárnio, que Te importa,
Com que indignação, os possa ver?
Quero ser Tua, toda em mim sou morta
Desde que Tu me peças, para o ser…


Desde que eu aceite, que Te importa,
Até que ponto deva eu ir?
Não sei por onde vou, onde me levas?
É pela luz, ou pelas trevas?
Estou a descer,
Ou a subir?


Aceito, um dia o sorriso, outro, a lágrima
O rodopio, sem termo ou fim,
Aceito, a Tua acção em mim…
Aceito, a oferta boa ou má,
Aceito, a cada dia o que,
O Teu Amor me dá!


Aceito, a Tua dor, inesperada
No meio dos aplausos e da festa
Chama-me à parte,
És convidado,
para trocar a rosa
pela giesta


Posso com humildade renunciar
À verdade, ao direito, à justiça
Sempre que o peças ...
Sem explicação, posso confiar
Só ao Amor não posso

Renunciar


Sei, que os homens podem julgar-nos
Sob qualquer pretexto ou condição
Deste e daquele, que fazemos?
Nada sem Ti,
Tem justificação


E que verdade é essa de que falo?
Não há verdade,
Senão na Tua morada
Rei hoje, amanhã mendigo
Pões e dispões,
Não me prendo a nada,
Sem ser conTigo.


ConTigo,
Neste caminho incerto
Passo a passo, frágil e vacilante
Dizes-me anda, mais um... adiante...
E eu sigo…
Quantas vezes Te digo
Jesus, não consigo?

Quantas, desfaleço, por caminhos tenebrosos
Quantas arrefeço,
Quantas choro?
E Tu a meu lado, mudo,
A meu lado, calado,
Mas com a certeza de que
És Tu,
O Crucificado… 

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