Foi agora morar para um local que
considera bom. Pergunto-lhe se ainda não foi assaltado naquela zona. Conta-me
então que no Brasil nunca foi assaltado apesar de ter usado um grosso fio de
ouro ao pescoço, achavam que era da máfia. Já em Portugal, achando que não é da
máfia, ocupa um cargo público, mas nem isso o livrou do branco e do preto se
chegarem a ele, um pela frente e outro por trás e lhe puxarem o fio de ouro oculto
pela camisa fechada. Talvez o tenham visto à transparência? Crê que já andava a
ser estudado há algum tempo, e eram experientes no esticão. Ficou o vergão no
pescoço. Pergunto-me sempre porque não lho pediram simplesmente, certamente o
entregaria obedientemente, a menos que valorizasse mais o ouro que a pele… Mas
o mais engraçado de tudo é que não reparou. À noite quando chegou a casa e se
despiu é que viu. Julgou que a tinham levado. Na ponta do fio tinha
uma grande cabeça de Cristo em ouro, que descera até às calças e tilintava
agora no chão. Ele recusara-se a partir. Pode-se dizer que foi a providência! Ah sim, Ele não me abandonou!” Penso para mim... é sempre bom
não se perder a cabeça, em situações difíceis, especialmente a de Cristo.
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