sexta-feira, 13 de junho de 2014

Ela disse 70x7...

Ela estava chateada, melindrada, aborrecida, tinha havido um erro. Em cem pessoas o nome dela falhara na lista dos pagos e tivera temporariamente de o fazer em duplicado na ausência do comprovativo. Agora viera mostra-lo e queria anular a inscrição no ginásio, pois estava muito ofendida. Errar é humano, explicam-lhe, nunca aconteceu, mas há sempre uma primeira vez. Repetem-lho várias vezes e explicam-lhe outras tantas, apresentando repetidas desculpas, sem que se demovesse. O assunto é passado de trás para a frente e da frente para trás há 20 minutos repassando o engano que suaviza a desfeita. Olha sem olhar nos olhos, através dos óculos e lábios smi cerrados em palavras entrecortadas aos minutos… “Isso não é nada católico!”_ dizem-lhe a certa altura.
"Também sei muito bem os preceitos da igreja...", _"Claro que sabe...", mas não era só isso… também não lhe tinham dado o número 70. Explicam-lhe que era impossível guardar numerações. “Sabe muito bem a importância do setenta na nossa religião"_ diz virando-se para a pessoa que fizera a observação. No ano 70 da era cristã, Jerusalém é destruída e os Judeus são dispersos pelo Mundo…? O salmo 70?... os 70 escribas? ...“e 70x7”_diz. "Setenta vezes sete" penso... Jesus disse: “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete”... então, porque estaria com tanta dificuldade de perdoar apenas uma? Se é tão difícil perdoar uma imagino sete! Dois dias depois aconteceu confessar-me: "Tenho actualmente dificuldade em perdoar algumas injustiças, acima de tudo aquelas que duram anos e que não parecem poder vir a ser reparadas... não é possível voltar atrás..."_ afirmo. Então ele responde: "Lembre-se... setenta vezes sete!", "Não me faça rir Sr padre!! .... A propósito disso vou contar-lhe uma história..." e comecei... trocamos alguns acontecimentos de vida e rimos... 

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