Pensei durante muito tempo no erro da pintura. A cor do
rosto insistira em ficar escura. Lembrei-me que a
minha amiga me havia contado que não conseguira tapar a nódoa do seu quadro
durante dias, mas que ela desaparecera automaticamente no momento em que
resolvera fazer a aureola da santa. Conta-o como se algo de extraordinário
tivesse ocorrido, e eu acho a história no mínimo curiosa, porque me deixa a
pensar... Da minha parte nada de milagroso ocorreu. Jesus não tinha ficado com a
cor de pele que eu tinha desejado, isso aborreceu-me, não O tinha projectado assim contudo nunca o
rectifiquei; creio que nunca mais me lembrei ou não tive motivação para o fazer. Talvez o tenha deixado para depois de seco, não me lembro. Pintei-O numa parede exterior, era maior do que eu. Gostava de o ver ali, mas
estava decepcionada o Seu rosto estava demasiado escuro.... Hoje veio-me à mente o que para mim era um Erro da minha pintura, mas depois ocorreu-me, como é que eu não pude
ver? Como é que eu não pude perceber? Jesus naturalmente também conduz a mão do pintor: era preciso que num bairro negro Jesus não fosse branco, era preciso que a face
de Jesus espelhasse a face da comunidade, era preciso que a cor de pele de
Jesus fosse a cor de pele dos que haviam de olhar para ele. Era preciso que
Jesus fosse da cor daqueles que haviam de ama-lO. Não era um erro de pintura mas uma forma de identificação. Por vezes não vamos pelos
caminhos que desejamos, mas pelos caminhos que Ele deseja, e se jesus conduz a mão do pintor, Jesus também
comete "erros" propositadamente, porque a face de Jesus não possui uma cor única, mas cada cor da face daqueles que O Amam!
Sem comentários:
Enviar um comentário