sexta-feira, 1 de maio de 2015

Sem querer roubara os ladrões...

_Olá como está? Tudo bem? Olho para um carro que abrandara perto do passeio. Não estou a ver quem é… _Sou o Manuel o amigo do Pedro…  diz esticando o braço para me fazer aproximar. E percebo... _Desculpe, mas não o conheço de lado nenhum!
O carro desaparece…  Entro na minha viatura,  sigo. Passo um carro desatenta… mas por vezes há qualquer coisa interior que me chama a atenção, não vi… Faço  marcha atrás… vou confirmar … é de facto o mesmo homem… fala com um idoso... Registo. Saio do carro. O homem tem nas mãos o BI e todos os documentos do idoso…  O que é que este homem lhe está a pedir?_ pergunto.  O homem não me responde. Faço a mesma pergunta elevando ainda mais a voz… O que é que este homem lhe está a pedir? Diga! Ele quer falar, mas não pode, fez uma cirurgia, não tem voz… O condutor, bem parecido,  chama-me estúpida. Retribuo. Acrescento que vou participar à polícia. O homem desaparece. “Ele disse que era filho do homem da garagem, eu conheço o senhor da garagem há muito tempo”_ diz compreendendo-se a custo. A garagem é mesmo em frente. O dono  está à porta… O senhor está a dizer que aquele homem afirmou ser seu filho. _Meu filho? calha bem eu nem tenho filhos… Volto-me para o idoso e pergunto: Então o senhor dá os seus documentos a um desconhecido? Repito, para que fique bem claro na sua mente. O homem não sabe o que me responder… (...) Conta-me um amigo a propósito que certa vez lhe fizeram parar o seu carro. Só parou porque lhe pareceu também o homem da sua oficina! Depois de uma troca de palavras arrancaram-lhe o relógio do braço comprado em Barcelona que não valia mais de 7€. Acelerador a fundo dalí. Ao parar o carro viu dezenas de casacos de pele no banco traseiro. A ideia era um entretê-lo e outro ir colocando a mercadoria para depois lhe levarem o carro. Certo é que sem querer roubara os ladrões. E embora possa não ter sido a decisão mais honesta, ainda se desculpa que os casacos lhe tenham rendido um bom dinheirito…

PS- Curiosamente 6 dias depois deste acontecimento ao contar o episódio numa aula, uma aluna diz-me espantada que lhe havia acontecido o mesmo. A mesma cor de carro, a mesma descrição de homem, o mesmo gesto, o mesmo nome...! Variação na localidade: A localidade mais próxima! 

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