terça-feira, 20 de maio de 2014

Não estava católica…


Abriu um restaurante chinês. Seis euros e noventa e cinco o prato cheio. A vigilância impede tupperware para o excedente, uma vez que é norma do restaurante comer à descrição. Não demorei mais de 15 minutos a entrar, comer e sair. Reentrei devido à factura incorrecta.  Alguém discute visivelmente alto. Uma chinesa diz-lhe que quer comer sem pagar, mas a cliente contrapõe que vai pagar tudo, que é inadmissível o que se passou e por isso vai reclamar no livro. Viu-me. Reconheceu-me. Reconheci-a de há pouco, estava à minha frente na missa, na verdade reparara nela pela exuberância das formas e as unhas verdes enormes e arqueadas, sem pensar que havia de senti-las. A filha, de trancinhas e missangas certinhas era bem cuidada pela mãe. A certa altura procura puxar-me pelo braço arranhando-me ligeiramente, sem que me tivesse visto senão aquela única vez. Quer explicar... era um rissol que a filha tinha comido. Tinha de pagar o rissol ou um prato de criança completo, não cheguei a perceber.  Tenta despejar o parto no caixote do lixo dos lavabos. A empregada quer impedi-la, que confusão… Pode dizer-se que "ela não estava nada católica", não! A voz intermitente da chinesa era totalmente abafada. E eu vim a pensar nas figuras que por vezes fazemos tão discrepantes da prática da nossa fé. Que não há um mundo dentro da igreja e outro cá fora, que certamente eu, noutras circunstâncias terei também deixado noutros esta impressão desconfortável. Não o digo por ela, mas talvez pela consciencialização da nossa própria realidade. Não na sua exactidão, mas noutras circunstâncias. Uma espécie de espelho do outro em nós, e a consciência das disparidade entre a nossa fé e a nossa acção, que nos deixa intimidados..... Vim a pensar como gostava de ser católica na total acepção da palavra, todos os dias, a todas as horas e em qualquer lugar… 

Sem comentários:

Enviar um comentário