A mãe pergunta ao filho: Não estás a
ver nada Rodrigo? O rapaz olhou em volta, levantou-se e o idoso sentou-se. Duas
paragens depois o idoso sai: Vá agora já te podes sentar. Senta-se. Pouco depois o rapaz levanta-se ao silencio da mãe. Uma idosa senta-se. "Aquilo é que era educação! Ela não tinha mais de quarenta anos e o miúdo sete, pouco usual... de resto, vem aí uma geração sem
princípios". Eu ouvia. Nessa altura diz baixo: Ora
esta, isto é que não! Esta mulher chegou e disse: O senhor dá-me o lugar por
favor. Se tem de estar sentada viesse mais cedo, agora o senhor está aqui há
tanto tempo para ter um lugar, ela sabe lá se ele também precisa de estar
sentado? Olhei. O idoso mantinha-se em pé sem se pronunciar. Obedecera
simplesmente. A mulher tem uma canadiana ou a canadiana tem-na a ela. Ainda
pensava no Rodrigo, o miúdo. Em volta havia dezenas de idosos. Aplicando o
relato a mim, também me deveria levantar
(eu até me sinto tão cansada _ disse para comigo…bom, sempre tenho uma
boa oportunidade de ser generosa. Uma, para tantas inversas) “Se calhar também eu devo dar o lugar aquela idosa?! O que desejava inconscientemente era que ela me liberasse do sacrifício e da consciência... “Também já falta pouco tempo”_ diz ela. (Ainda
nem vai a meio a missa, penso). Talvez esta senhora aqui
que está cansada, está a apoiar-se ao banco_insisti, não insistindo. Quer sentar-se? pergunta-lhe por mim. Cada vez estava a sentir-me pior com a situação. A mulher diz
que não. Ora quando se quer dar, dá-se, não se pergunta! Resolvi levantar-me.
Sente-se ali no meu lugar, a senhora está cansada! Com muitos agradecimentos
diz que não. Então saiu-me: mas olhe vá que cabe lá! Senti nitidamente qual
era o seu problema! Ela nesse momento hesita, está na dúvida. Não, não arrisca.
Então virei-me para o homem… o Senhor deu o lugar aquela senhora, sente-se a li
no meu lugar! Não quer. Tive de voltar para o lugar enquanto Maria me diz rindo:
“bem feita!”. Eu disse à mulher que ela cabia! Tu foste dizer isso à senhora? (Ela era muito gorda e receava chegar ali e ter de voltar para trás, tal como
eu tive de voltar para o lugar!). O
engraçado é que fiquei a pensar que por vezes aprendemos mais “com o que
ficamos” do que com o que “nos libertamos… “. Não importa se o nosso lugar fica livre ou ocupado, o importante
é que nos sintamos bem no lugar que ocupamos.
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