sábado, 16 de agosto de 2014

Ninguém faz nada??

Hoje foi um dia cansativo, cheio de dores de cabeça e irritações. Quando finalmente parei veio-me à mente: “Faz que não vês!, “ Faz que não sabes!”_diz-me no outro dia durante o almoço enquanto um indivíduo se entretinha a mudar as coisas da mochila do estrangeiro para a sua. Ela fez-me sinal com o olhar (faz que não vês, mais uma vez!) … não é nada connosco …
e o almoço já não me caiu como devia, ficou-me meio atravessado. Depois veio-me à mente o gato que caiu da varanda e ficou dois dias sem comer no passeio sem ajuda, o pássaro que levou uma pancada de um carro, o cão que estava a morrer à porta do banco, outro que estava há três horas a raspar nos vidros do carro de janelas fechadas, a idosa que é roubada na praceta, o rapaz que ao murro arrecada as moedas da cabine, um outro que no jardim é batido por três, um carro nos arbustos onde se entrelaça uma miúda de 12 anos e um homem vigiando todos os cantos de possíveis olhares,  outro homem que está caído na plataforma da CP, a rapariga do prédio da frente que é espancada todas as noites por dois companheiros estranhos, o rapaz que é companheiro surpreende-me uma noite mostrando os genitais…  Que procuro os problemas_diz admirando-se por eu ser assim.  As câmaras apanharam o roubo que lhe fizeram ao porta-malas, mas foi-lhe aconselhado a não se chatear. Uma amiga repreendeu uns adolescentes no metro, por isso quando encostou a cabeça e fechou os olhos, levou uma brutal pancada com um telemóvel que a deixou a sangrar. Ninguém faz nada?_perguntou aos presentes. Ninguém viu nada... a câmara registou o incidente, apresentou uma queixa contra desconhecidos, ficou tudo em águas de bacalhau. Afinal há mais cegos do que eu imaginaria. Hoje depois de mais de seis horas de dores de cabeça, e após constatar irregularidades, fui à policia. Tinha bases para a queixa que veria os seus frutos a breve prazo, mas à última hora desisti. Não estive para me chatear. Haverá outro lesado quem sabe apresente queixa, porquê sempre eu? Acho que prefiro dormir tranquila na minha almofada, não há nada que pague a paz. Vou aceitar a sugestão e fingir que não sei e que não vi, afinal os que são mais do que eu é o que fazem, porque haveria de pensar mudar o mundo? Se cada dia há mais cegos, talvez eles é que vejam melhor do que eu... Eu que me desculpe, mas hoje vou ser como a maioria das pessoas... não vou ver nada. 

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