Inda dormes
Jesus, na Tua barca…
Que derivar
parece p’los canais
Já se
passaram tantos verdes sóis
Tantos
suspiros soltos, tantos ais
Dos Teus
campos divinos Bem-Amado
Nem um olhar
sequer Tu retiraste
Da barca que
se move soluçando
Sem Capitão
erguendo e comandando
O povo que
outrora designaste
Com vigilância,
bradando deixaste
Em surpresa
os gentios se agitando
Quantos homens, se contam lá girando
Sem ouvir
quando do vento os chamaste?
Quantos pés
Te esqueceram afundando?
Não tomas Tua barca, p´ra deixa-la
No meio da
aflição e desamparo
A Tua nova
aurora antevi…
Jesus, confio
plenamente em Ti
E aguardo…
É tempo,
dizes: Arrear bandeira!
Do mastro pulsa
a Cruz da Tua Verdade
Da dor um
dia, outro da caridade,
Misericórdia,
luz desta cegueira,
_Acordem, que
dormis na crueldade_
Avé, Cristo,
marca, autenticidade,
Da obra que
Deus quer, ditou e disse:
Da vergonha,
cada um que engolisse
Falta de fé horrenda
e caridade
Com que se vira
a história da cidade
Gemem débeis
demónios, volta ao átrio
Fremem súplicas rasto à Tua Cruz
Do pátrio povo,
definhar o eleito
Reclamam o sacrifício
do efeito
Antevêem, O Sangue que o conduz
Onde apoiar
as amarras caídas?
Dando esperança
às infernais criaturas
Do pó da
decadência e das torturas
Chegam-se à
luz do dia, poluídas
Opondo-se ranhosas
às alturas…
Oh, vermes,
rastejantes doloridos
Que
espreitam, um brecha dos tormentos
Escoadouro dos
vis agravamentos
Da obscuridade
anseiam alívios idos
Vindes rogar
à Cruz dos convertidos…
Vindes roer aflitos,
medos tidos
Sem poder deferir
eterna Herança
É nossa pátria
e Bem-Aventurança
Que a nós
desce sem medo o próprio Verbo
Voltai vis
criaturas p’ró inferno!
Oh, Deus! Glória
do Amor que não confunde…
Acordai o
defunto que é enfermo
O sacrifício
do Amor vence e é,
A nossa
única espada, o nosso leme
Cristo que
nos mantém hoje de pé
Oh, Deus! Acorda
o defunto que é eterno
Contra Vós,
não pode nenhum inferno
Que o Sangue
e a Água que Cristo brotou
Do Coração amado, Hoje e Sempre
Nos salvou!
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