sábado, 24 de agosto de 2013

Só o teu Amor

Será que procedi mal, que pequei? Terei feito algo de que não gostaste? Que Te levou a afastar? A  não Te sentir. Talvez o facto de não estar bem de saúde, me faça sentir longe? Jesus, não há humilhação maior do que me sentir ou mesmo ser como uma ateia! Ser, como se Deus não existisse.
Ser, como se não tivesse qualquer apoio, qualquer direcção. Qualquer caminho deserto é melhor do que este, este é o caminho do nada. Mas o que é o nada? Nem arde Deus no meu coração, nem arde a ausência d’Ele. Nada é precisamente a inexistência de Deus. Haverá algo mais aterrador? Nada, nada se pode aproveitar deste estado ao que parece, pois nem o sacrifício do amor, nem o sacrifício da ausência, não há sacrifício. Não há sacrifício? Se por um lado o sacrifício podia ser este nada, por outro este mesmo nada não permite a valorização de estar neste estado, como se só Vós pudésseis valorizar os nossos sacrifícios e sem Vós, nenhum sacrifício é valorizável. Assim sendo os que Vos não sentem nunca fariam sacrifícios de amor por Vós. Mas farão para Vós, actos de amor, neste nada? Neste nada onde Deus parece não existir senão como um conceito longínquo e inalcançável? Ou mesmo como se Vós não existísseis de todo? Que contradição! Parece mais difícil amar-Vos quem vos sentiu do que quem Vos não sentiu. Porque quem Vos sentiu não suporta ter-se sozinho, mas quem Vos não sentiu, parece ter-Vos na mente e no coração. Nada em mim consegue chegar a Vós. Como eu aspirava a uma alma que caminhasse a meu lado com estes mesmos desejos. Não é um marido que desejo, nem um companheiro.. não…era um santo, uma vez que desde sempre desejara a santidade. Eu digo desde sempre porque creio que Vós imprimis já em nós esse Vosso desejo que tendes para nós. E que mais podereis ter para nós senão Vós Mesmo? Oh meu Deus, mas se assim é, porque ainda me não trouxeste essa alma, que tal como eu deseja chegar à totalidade do Amor? Porque toda a parte de Vós é totalidade e não há neste desejo grandeza, mas humildade. Sei que se quisesses em um minuto poderia correr mil anos, de um impasse que não tem medida chegar ao que desejais para mim. Mas se lamento os anos, que são eles para Ti, se não há passado, nem presente, nem futuro na eternidade, porque a eternidade não tem tempo. Porque hei-de lamentar todas as incompreensões, toda as injustiças e todas as vergonhas? Digo-Te, afinal são todo o meu tesouro. Não são os elogios, nem as amabilidades que me deram que munem de riquezas, mas todas as maldades que me concederam como recompensa. Quantas vezes me queixei, quantas me lamentei, quantas procurei explicação, quantas Te inquiri? E hoje a pena que tenho é não ter suportado todas em paz. Mas Jesus, nem deste património sou dona, uma vez que despojar-me podes fazê-lo num só instante, vê que eu mesma sou grandemente pecadora e as minhas riquezas não chegariam para eu pagar os meus próprios danos. Ao pé de Ti sou sempre uma pedinte sem moeda que me deixe chegar a Vós, mas não, não contas nem os meus pecados e nem os meus méritos, só reconheces o Amor. Os meus bolsos e as minhas mãos estão inteiramente vazias. Preciso oh meu Deus, do Teu Amor para Te mostrar, que sou uma pobre criatura dependente da Tua natureza, só O Teu amor me pode alcançar tudo o que desejo, o céu. 

Sem comentários:

Enviar um comentário