quarta-feira, 17 de setembro de 2014

A Vossa carga é leve…

É certo, por mais que tentemos, nem sempre fazemos a Tua vontade. E porquê? A exigência a quem está ou deseja estar a par conTigo a cada instante da vida parece demasiado grande, não tanto pela  impossibilidade da execução, uma vez que não solicitas o impossível, mas pela sua continuidade.
A continuidade do que exige a Tua vontade a cada momento fá-la parecer demasiado pesada, mas ao mesmo tempo reconhecemos que é leve. A Vossa carga é leve… Sois exigente, e o caminho é estreito é verdade, estreito e contínuo na abnegação de nós, mas leve porque o fardo sempre será menos difícil de carregar que o nosso, que esta nossa vontade, a um prazo visivelmente curto. O que nos impede de fazer sempre a Tua vontade? A Tua vontade não se faz de ânimo leve, faz-se com sacrifício. Porque é que nos custa tanto se reconhecemos que é por ela que se abrem todos os nossos caminhos? Porque exige muitas vezes  uma decisão racional e não a par com o nossos desejos? Porque contraria a nossa vontade imediata? Porque contraria a busca do prazer? Sim, contraria muitas vezes esse bem estar no imediato. É porque temos de optar pelo caminho mais difícil… é certo que nos parece o mais curto por qualquer motivo, embora não vejamos bem onde nos leva, está enevoado, está oculto, mas parece-nos temeroso. Não nos acena com os brilhos que nos encantam, os prazeres que nos iludem, quando olhamos percebemos que o Teu caminho não se faz sem dor. Ficamos a olhar, ficamos reticentes, não, não queremos ir por ali… Porque nos apontas os espinhos? Porque nos apontas esse percurso estreito de onde nem vemos a luz do fim? Porque nos apontas a escuridão? Porque nos apontas a solidão? Porque nos apontas o Sangue, não vês que nos chamam para outros caminhos mais fáceis e muito mais agradáveis? Dizes-me que há uma grande diferença, que pelos outros caminhos vou só, mas que pelo que me apontas vou conTigo. Vem por aqui, digo-Te eu com olhos doces, mas Tu não vens por aqui! Porque é que Te obrigo a ir por onde não desejas? Porque é que por vezes Te volto as costas sem realmente perceber? Lá me vais encontrar  por onde me perco, umas a rir e outras a chorar… e de repente dou com o meu no Teu olhar e estremeço… Tu aqui? Penso… Tu nunca falas, mas respondes…  “Tu aqui?” e a pergunta soa-me em eco e inversa… _"tu aqui… ?" _Eu aqui, longe de Ti…  perdida de mim… Algumas vezes devo dizer-Te, Senhor senta-Te, partilha da festa…  e Tu? Não sei se ficas a desenhar na areia... que ficas a fazer…? a verdade é que não posso caminhar sem Te ver… Não sei se é a mim que fazes um favor vindo ter comigo, ou se sou eu que faço o favor de ir conTigo, porque embora me leves para onde não quero, é conTigo que desejo estar… Por vezes também entramos no caminho largo, mas é quando desejas… porque o importante é a Tua vontade e não para onde me levas… e se me levas há sempre um motivo, e por vezes eu sento-me e rimos conTigo… Às vezes é noite, outras é dia, porque Te ausentas e há agonia? Quando se está no mundo, há uma ou outra nuvem que passa… deixa-la passar… Tu não vieste chamar-me para me deixar… 

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