terça-feira, 16 de setembro de 2014

Apesar da noite...

Há uma tendência em apenas Te encontrarmos nas palavras que nos agradam, nos comportamentos coerentes connosco e com a nossa própria vontade e o nosso gosto. Muitas vezes é em nós que nos detemos, e não vamos para além de nós desvendando que Tu estás ali. Que Tu continuas ali, apesar da noite, apesar do véu que por vezes nos colocam à frente. Não é para que não Te vejamos, é para que não nos vejamos… é preciso trazer a noite, para nos descentrarmos de nós. Quantas vezes Tu estás aqui, mas é a nós que vemos, não Te olhamos efectivamente, cremos que continuarás a fazer-nos companhia… Mas não… quando a sombra passa a nossa aflição qual é?
É a perda da comodidade e do controlo? É o lugar que se torna desconfortável e que nos faz reacomodar? É o facto de Tu pareceres não estar ali? Mas Tu estás ali… porque é que não nos ultrapassamos para percebermos que estás ali? Se nos centrássemos menos nas nossas necessidades de apreciação, de reconhecimento, nas nossas necessidades de avaliação positiva de nós, seria mais fácil passar à frente… seria como uma luz que ilumina as trevas, e então a noite ter-se-ia feito para que Te víssemos melhor… mas não, é em nós que nos detemos… quantas vezes apenas vislumbramos o Teu reflexo através de nós, porque é para nós que olhamos? Quantas vezes Te descortinamos através do nosso espírito que flutua com os acontecimentos diários? Não, Tu És estável, Tu estás lá… O que é que nos impede de arrancar o véu da escuridão? Tu estás lá, e desejas esse olhar, desejas essa súplica, desejas esse arrojo de Amor. Ah a noite, aprendo a amar a noite, que me eleva o olhar a Ti, essa Tua forma delicada de me Amar, os Teus olhos têm algo para me dizer, para contemplar, e eu sorrio na noite… 

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