Pela
primeira vez tive a verdadeira consciência que há diferentes formas de orar. Na
escuridão, na incógnita, rezando por quem me dissera “reze por mim” a oração
surpreendeu-me levando-me por caminhos profundamente desconhecidos numa viagem
a alta velocidade, onde a fracção dum segundo parece horas e as horas são
menores que as milésimas de segundos. Sem espaço, sem tempo, sem motivos, mas com o motivo que só
a oração parece saber, desbravando caminhos desconhecidos, sobrevoando verdadeiras
florestas amazónicas e tangendo estranhos desertos, subi a bordo de um
transporte intemporal...
A rapidez assustou-me. Não havia alavanca de que me socorresse, nem palavra que o fizesse parar, a não ser que me negasse a rezar! Mas será que a viagem de uma oração nos leva sempre onde deve levar? Quando o maquinista é Deus, um deserto é apenas a distância entre dois oásis… Descobri que por vezes podemos ter medo do que descortinamos através da oração… medo de nós, de resvalarmos para os nossos desejos, medo dos outros, do que nos sugerem, medo de Deus, do que Ele nos parece dizer, das exigências que nos pode inspirar… Medo de deixar Deus ser livre de nos conduzir… medo maior de O impedir, de O decepcionar… Com Deus, seguir depressa demais nunca é um risco. Risco é seguir num transporte desgovernado, ou governado pelo seu próprio governo, que nem o nosso é… Então O maquinista, sentindo o meu receio, levou-me a ver os campos e os vales, como desviando temporariamente o percurso e falou-se sem palavras, o que eu ainda não quis entender e apaziguou provisoriamente o meu coração. Não sei, se é d’Ele que me defende ou de mim mesma, se dos meus desejos, se dos Seus, porque desconheço o destino da viagem. E creio que não quero saber, é melhor não saber. Porque se são meus isso entristecer-me-ia, mas se são d’Ele isso bloquear-me-ia de temor. Mas, e se Deus Se escapa e me deixa só nesta viagem a mil à hora? Lembrei-me da vez que a minha mãe me enganara. Deixara-me na escuridão do quarto… teria eu uns cinco anos, ia contar-me uma história de adormecer: “ Era uma vez, umas vacas e uns bois, ficaram as vacas e foram-se os bois” e desaparecera deixando-me aterrorizada com medo dos fantasmas que nos vêm levantar os lençóis da cama e dos quais nos temos de esconder tapando a cabeça o mais que podemos até quase sufocar. Ocorreu-me a única vez que andei numa montanha russa. Fechara os olhos e agarrara-me com toda a força aguentando-me só até ao fim. Não, Deus não me deixaria, não me empurraria, não, Ele não me faria isso!? Depois lembrei-me dos escorregas das piscinas onde uma vez em pequena me ia afogando, tendo trespassado a grande bóia a toda a velocidade, raspara os braços do meu Pai em direcção ao fundo da piscina. Mas agora Tu que És meu Pai, irias fazer-me o mesmo? Irias fazer-me pior? Sei bem que podemos desarranjar os planos de Deus. Sei bem que O podemos entristecer. Pois embora haja quem pense que Deus, não se torna alegre nem triste, Ele dizia-me as várias facetas do Amor. Depois só tive tempo para dizer seja como Deus quer, sem mãos, sem pés, mas que não seja sem cabeça. Será que a viagem vai iniciar? Há muitas formas de orar…
A rapidez assustou-me. Não havia alavanca de que me socorresse, nem palavra que o fizesse parar, a não ser que me negasse a rezar! Mas será que a viagem de uma oração nos leva sempre onde deve levar? Quando o maquinista é Deus, um deserto é apenas a distância entre dois oásis… Descobri que por vezes podemos ter medo do que descortinamos através da oração… medo de nós, de resvalarmos para os nossos desejos, medo dos outros, do que nos sugerem, medo de Deus, do que Ele nos parece dizer, das exigências que nos pode inspirar… Medo de deixar Deus ser livre de nos conduzir… medo maior de O impedir, de O decepcionar… Com Deus, seguir depressa demais nunca é um risco. Risco é seguir num transporte desgovernado, ou governado pelo seu próprio governo, que nem o nosso é… Então O maquinista, sentindo o meu receio, levou-me a ver os campos e os vales, como desviando temporariamente o percurso e falou-se sem palavras, o que eu ainda não quis entender e apaziguou provisoriamente o meu coração. Não sei, se é d’Ele que me defende ou de mim mesma, se dos meus desejos, se dos Seus, porque desconheço o destino da viagem. E creio que não quero saber, é melhor não saber. Porque se são meus isso entristecer-me-ia, mas se são d’Ele isso bloquear-me-ia de temor. Mas, e se Deus Se escapa e me deixa só nesta viagem a mil à hora? Lembrei-me da vez que a minha mãe me enganara. Deixara-me na escuridão do quarto… teria eu uns cinco anos, ia contar-me uma história de adormecer: “ Era uma vez, umas vacas e uns bois, ficaram as vacas e foram-se os bois” e desaparecera deixando-me aterrorizada com medo dos fantasmas que nos vêm levantar os lençóis da cama e dos quais nos temos de esconder tapando a cabeça o mais que podemos até quase sufocar. Ocorreu-me a única vez que andei numa montanha russa. Fechara os olhos e agarrara-me com toda a força aguentando-me só até ao fim. Não, Deus não me deixaria, não me empurraria, não, Ele não me faria isso!? Depois lembrei-me dos escorregas das piscinas onde uma vez em pequena me ia afogando, tendo trespassado a grande bóia a toda a velocidade, raspara os braços do meu Pai em direcção ao fundo da piscina. Mas agora Tu que És meu Pai, irias fazer-me o mesmo? Irias fazer-me pior? Sei bem que podemos desarranjar os planos de Deus. Sei bem que O podemos entristecer. Pois embora haja quem pense que Deus, não se torna alegre nem triste, Ele dizia-me as várias facetas do Amor. Depois só tive tempo para dizer seja como Deus quer, sem mãos, sem pés, mas que não seja sem cabeça. Será que a viagem vai iniciar? Há muitas formas de orar…
Amiga em Cristo: obrigada. Deus recompensá-la-á. A anónima de "confessionário de um padre".
ResponderEliminarGostei que tivesse vindo por aqui ler... a oração é sempre uma viagem para o desconhecido. Nem sempre é o que esperamos. Nunca tinha tentado rezar por alguém "sem rosto" isso fez-me perceber mais do que imaginava. Vou rezar por si com mais afinco ainda, novamente. Esteja certa disso. Um forte abraço em Cristo!
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