Já está a
trabalhar?_Pergunta. Eu também vou trabalhar, levo aqui a minha merendinha e
mostra-me um saco de plástico com duas sandes, dois pêssegos e dois iogurtes.
Que eu não toco em nada do que é deles. Deus me livre! Nem uma peça de fruta,
nem me sabia bem! Há uns tempos, precisei de temperar uma salada, fui
a uma garrafinha que tinham lá, pus um bocadinho pouquinho, mas nem imagina,
nem me caiu bem a salada!
Mas isso é um exagero, disse-lhe. Não, imagine que depois era todos os dias um bocadinho, não, não podia ser! Estava errado! Sabe, quando era pequena a minha mãe tinha uma vez berbigão já descascado. Disse-me que não comesse era para o almoço. Éramos vários. Mas eu era miúda, comi um, aquilo era tão pequenino, comi outro e quando a minha mãe chegou e viu o prato, deu-me uma tareia que me partiu a cabeça. Depois teve de ir comigo ao hospital e pediu-me por favor minha filha, nunca digas que foi a tua mãe, coitada, disse sorrindo, que senão ia presa. Eles bem me perguntaram e estavam desconfiados. Então pensei no medo que ela tinha que o fio fosse para a garrafa como o berbigão para o prato. Talvez o receio de começar e não parar! E eu, fiquei a pensar no meu medo. Medo que os meus procedimentos diários incorrectos, fossem como um fio de azeite contínuo que esvaziasse a garrafa. E depois o azeite para encher a almotolia? Que insensata seria!
Mas isso é um exagero, disse-lhe. Não, imagine que depois era todos os dias um bocadinho, não, não podia ser! Estava errado! Sabe, quando era pequena a minha mãe tinha uma vez berbigão já descascado. Disse-me que não comesse era para o almoço. Éramos vários. Mas eu era miúda, comi um, aquilo era tão pequenino, comi outro e quando a minha mãe chegou e viu o prato, deu-me uma tareia que me partiu a cabeça. Depois teve de ir comigo ao hospital e pediu-me por favor minha filha, nunca digas que foi a tua mãe, coitada, disse sorrindo, que senão ia presa. Eles bem me perguntaram e estavam desconfiados. Então pensei no medo que ela tinha que o fio fosse para a garrafa como o berbigão para o prato. Talvez o receio de começar e não parar! E eu, fiquei a pensar no meu medo. Medo que os meus procedimentos diários incorrectos, fossem como um fio de azeite contínuo que esvaziasse a garrafa. E depois o azeite para encher a almotolia? Que insensata seria!
Estar atento é o melhor procedimento
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