quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Vitórias e Quedas

Ia marcar uma consulta, não era para mim. Aproximei-me da máquina para retirar a senha, mas um casal de seniores aproximava-se ao mesmo tempo que eu. Senti que me apressei, que queria tira-la em primeiro, tanto que o fiz! No mesmo impulso também desejei logo ceder a minha senha. Entreguei-a à mulher. O homem disse surpreso então e a senhora? "Deixe estar"_ referi. “Agora fica sem senha?” _ insistiu enquanto eu procurava retirar outra senha, em vão. A máquina encravou. Nessa altura a mulher aproveita para se afastar e o marido segue-a um pouco depois. Nem me havia lembrado que não estava só a dar a vez da senha, mas que poderia mesmo perder a consulta daquela semana. Passa a funcionária dá umas pancadas na máquina, sai a senha. Espero. Marco a consulta e saio com uma sensação de contentamento. A verdade é que muitos dos nossos actos são egoístas. O homem certamente achou-me generosa, uma vez que nem tinha sentido que eu havia desejado precipitar-me sobre a senha e que lha dei com o mero propósito de libertar-me daquela impulso irreflectido ou intenção desconfortável. Depois disso, sempre que sentimos ter alguma pequena vitória, domínio sobre nós e nosso procedimento ficamos satisfeitos e confortados, logo a minha acção por último foi duplamente egoísta. Para que não ficasse com o imerecido conforto, logo a seguir tive oportunidade de ver bem o inverso. Conduzia numa faixa e outro carro na inversa. Ele tinha um obstáculo no entanto ao ver-me acelerou como muitos fazem talvez por impulso como eu fiz com a senha; eu, de forma a fazê-lo respeitar a regra de que quem tem o obstáculo é que cede passagem acelerei passando primeiro. Ora, perdi não só o gosto de me ter dominado anteriormente, como perdi a melhor hipótese de ter tido uma atitude de maior generosidade. Também perdi a pequena vitória daquele momento. Também perdi a oportunidade de ceder perante a regra que me favorecia. Afinal quem ficou com o obstáculo, não foi ele, fui eu!

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