Este era um dos dias, que me comovia porque Deus é Bom. Discreta,
como uma dezena e meia de pessoas que ocupavam
cadeiras espaçada para dar as suas contas a Deus ou pedi-las. Na lateral
o homem que se senta no mesmo lugar de cabeça tombada ao peito. Assim fica horas … nunca o vi perturbar, mas o
auxiliar da igreja, disse-lhe que ali não era lugar para ir dormir. O homem
mostrou-se deveras zangado e mandou-o meter –se na sua vida, sem ter alterado o procedimento diário. Nesse dia nada observei, apenas reflectia. Ajoelhada,
comovia-me no diálogo com Deus e Deus
comigo. Os passos dos estrangeiros sem demasiado tempo registavam a flash os
santos nos altares sem incomodo. Uma boa maioria não permanece mais de cinco a
dez minutos nos fundos da igreja e volta a sair. Tiro um lenço de papel da mala
e assoo-me. Alheio-me na Cruz. Um homem surpreende-me...
Pede-me desculpa por se sentar. Era negro. Era jovem. Usava talvez uma túnica clara. “Senti uma energia especial ao vê-la”_disse-me.” Algo muito fora do vulgar”. “Se não fosse isso não a teria vindo incomodar”. Ainda meia atordoada pela quebra abrupta da meditação , digo-lhe que não acredito em nada do que diz. Ele insiste, que alguma coisa nos liga, que não é por acaso… interiormente irritada, mais pelo que se me inspira do que pelo incómodo, decido dedicar-lhe a atenção solicitada e perceber onde pretende chegar. Diga, então o que quer!_disse sentando-me e indo directa ao assunto. “Senti uma energia, ao vê-la, que emana de mim para si, não sente?” tenta aproximar as mãos, pouco confiante. ”Acasos que não são por acaso”..” auras” e coisas que nada tinham a haver com Deus. Aprofundo as suas intenções, mais do que as suas palavras, e passados alguns minutos para espanto meu, vira-se para mim, pede-me imensas desculpas, nitidamente envergonhado, levanta-se e vai. Eu fiquei a pensar, como um lenço pode ser sinal de fragilidade, se eu estivesse frágil! Fiquei a pensar e se não fosse eu, se fosse outra pessoa, no meu lugar? Fiquei a pensar na perversidade de quem está atento à ocasião, no sítio mais inesperado… uma igreja. Por momentos, senti -me como um passarinho, que acabara de falar com um caçador… Mas o que me perturbava era ele ousar entrar ali… Ah, tal como uma armadilha terrível para os passarinhos, que são atraídos por uma comida e distraem-se e caem no laço, também há contadores de histórias que estendem uma linha invisível, ou quase invisível, aos olhos das suas vítimas, e lançando a comida esperam que logo comem da isca. Pensei, que também as pessoas aprisionadas, tal como os pássaros, não terão a sua liberdade… Nunca me haviam feito tanto sentido as palavras do Salmo “… Ele te livrará do laço do passarinheiro…”
Pede-me desculpa por se sentar. Era negro. Era jovem. Usava talvez uma túnica clara. “Senti uma energia especial ao vê-la”_disse-me.” Algo muito fora do vulgar”. “Se não fosse isso não a teria vindo incomodar”. Ainda meia atordoada pela quebra abrupta da meditação , digo-lhe que não acredito em nada do que diz. Ele insiste, que alguma coisa nos liga, que não é por acaso… interiormente irritada, mais pelo que se me inspira do que pelo incómodo, decido dedicar-lhe a atenção solicitada e perceber onde pretende chegar. Diga, então o que quer!_disse sentando-me e indo directa ao assunto. “Senti uma energia, ao vê-la, que emana de mim para si, não sente?” tenta aproximar as mãos, pouco confiante. ”Acasos que não são por acaso”..” auras” e coisas que nada tinham a haver com Deus. Aprofundo as suas intenções, mais do que as suas palavras, e passados alguns minutos para espanto meu, vira-se para mim, pede-me imensas desculpas, nitidamente envergonhado, levanta-se e vai. Eu fiquei a pensar, como um lenço pode ser sinal de fragilidade, se eu estivesse frágil! Fiquei a pensar e se não fosse eu, se fosse outra pessoa, no meu lugar? Fiquei a pensar na perversidade de quem está atento à ocasião, no sítio mais inesperado… uma igreja. Por momentos, senti -me como um passarinho, que acabara de falar com um caçador… Mas o que me perturbava era ele ousar entrar ali… Ah, tal como uma armadilha terrível para os passarinhos, que são atraídos por uma comida e distraem-se e caem no laço, também há contadores de histórias que estendem uma linha invisível, ou quase invisível, aos olhos das suas vítimas, e lançando a comida esperam que logo comem da isca. Pensei, que também as pessoas aprisionadas, tal como os pássaros, não terão a sua liberdade… Nunca me haviam feito tanto sentido as palavras do Salmo “… Ele te livrará do laço do passarinheiro…”
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